música, prosa e poesia.
"Ontem, eu chorei. Voltei para casa, fui para o meu quarto, sentei na beira da cama, chutei os sapatos, desabotoei o sutiã e caí no choro. Quero que vocês saibam que eu chorei até meu nariz escorrer molhando a blusa de seda que comprei na liquidação. Chorei a até minha cabeça doer tanto, que eu mal via a pilha de lenços de papel no chão aos meus pés. Quero que vocês saibam que ontem eu chorei pra valer. Ontem, eu chorei por todos os dias em que estive ocupada demais, ou cansada demais, ou com raiva demais para chorar. Chorei por todos os dias, por todas as formas e por todas as vezes que desonrei, desrespeitei e desliguei meu Eu de mim mesma. Mas meu Eu se refletiu de volta para mim quando os outros fizeram comigo as mesmas coisas que eu já fizera comigo mesma. Chorei por todas as coisas que me foram roubadas; por todas as coisas que eu pedi e que não consegui receber; por todas as coisas que, depois de conquistar, eu dei a outras pessoas em circunstâncias que me deixaram vazias, gasta e exaurida. Chorei porque realmente chega um momento em que a única coisa que nos resta é chorar. Ontem, eu chorei. Chorei porque meninos pequenos são abandonados pelos pais; e as meninas são esquecidas pelas mães; os pais não sabem o que fazer e por isso vão embora; as mães são abandonadas e ficam com raiva. Chorei porque eu tive um menininho, e porque eu ainda era uma menina pequena, e porque eu era uma mãe que não sabia o que fazer, e porque eu queria tanto que meu pai estivesse comigo, que chegava a doer. Ontem, eu chorei. Chorei porque feri alguém. Chorei porque fui ferida. Chorei porque a ferida não tem para onde ir senão até o mais fundo da dor que a causou, e quando chega lá a dor acorda você. Chorei porque era tarde demais. Chorei porque tinha chegado a hora. Chorei porque minha alma sabia que eu não sabia que minha alma sabia tudo o que eu precisava saber. Chorei um choro espiritual ontem, e esse choro me fez muito bem. E me fez muito, muito mal. Em meio ao meu choro, senti minha liberdade vindo, porque ontem, eu chorei sobre cada momento da minha vida."

Ontem eu chorei.    (via aluguefelicidade)

(Source: embriagar-se, via aluguefelicidade)

"Nossas expectativas nunca são alcançadas quando se trata do amor. Talvez esperamos demais, ou criamos expectativas exageradas demais. Talvez o nosso futuro tenha nos reservado algo simples, modesto, mas que traga felicidade. Nossa impaciência sempre acaba alterando esse destino: enquanto o certo não aparece, vamos aproveitar o que se têm, o que está na vitrine em liquidação. Mas será que isso vale realmente a pena? Digo, será que vale realmente se doar para algo que sequer colore? Que sequer sente? Talvez nossas expectativas sejam surpreendidas hoje, ou amanhã, quando o telefone tocar. Ou de madrugada quando a mensagem chegar. Quem sabe? O futuro é incerto, e de incerto já basta o amor. De qualquer forma, o café está esfriando, a saudade apertando, e a carência chamando. De que adianta “felicidade” se não há sorrisos e gargalhadas? De que adianta tristeza sem lágrimas? De que adianta eu sem você? De que adianta uma laranja cortada sem sua tampinha? De que adianta todos esses encaixes? De que adianta viver, se o essencial não existe? E tu, ainda me insiste em dizer que o passado e a falta de amor deu a falhar, e eu torno a dizer: o amor nunca erra, nós que erramos em dar ênfase numa parte errada da história. Há tantas outras partes melhores, por que se preocupar com o pior se o melhor É melhor?"

Alugue Felicidade. (via aluguefelicidade)

"Bota um sorriso na cara e enfrenta a tristeza. Aquilo que a gente não quer a gente não tem. Então, queira ser feliz, ter uma vida boa, esquecer decepções, porque a vida segue e se você não seguir com ela,acaba ficando pra trás."

Wilerson C.   (via frasesatormentadas)

(Source: passaropreto, via frasesatormentadas)

c-asillas:

25/100 fotos do Grêmio.
"É só mais uma noite, daquelas em que a felicidade vai embora. Aliás, a felicidade algum dia já chegou? Se um dia ela já pensou em vir, acho que não gostou muito da minha companhia. Do meu papo chato, do meu quarto escuro, do meu choro abafado. É só mais uma noite em que eu sou o lixo em que os outros não chegam nem perto, por conta do nojo. Mal sabem eles que se eu pudesse, eu também não chegaria nem perto de mim, eu não existiria. Porque morrer todos os dias é a tarefa mais difícil. Mal sabem que também tenho nojo de mim. É só mais uma noite em que eu vou deitar, eu vou chorar até não ter mais lágrimas. E vou continuar no desejo de que cada gota caída seja mais um minuto a menos na minha vida. E que elas desçam corroendo cada parte do meu corpo com o seu sal. É só a noite em que eu vou morrer mais um pouco, e que tudo vai ser um lixo, assim como eu, como os meus pensamentos, como isso que eu insisto em chamar de vida. Felicidade pegou o trem e foi embora, não volta. Jamais."

Isabella Duque. (via re-mar-amar)

(Source: nemequittepas1, via re-mar-amar)

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